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quarta-feira, 8 de junho de 2011
FERNANDO MARDUREIRA TÉCNICO DA SELEÇÃO BRASILEIRA
O técnico da Seleção Brasileira de Taekwondo, Fernando Madureira, começou a praticar taekwondo aos 11 anos de idade, mas somente aos 16 resolveu competir. Em 1992, dava seus primeiros passos como técnico da Seleção Estadual do Paraná e levava o aluno Rodrigo Ferla ao título de campeão Brasileiro.
Aos 41 anos, casado e pai de dois filhos, Liz e Nando, esse paranaense da cidade de Londrina fala um pouco sobre os caminhos pelos quais vai trilhar a Seleção Brasileira em busca da classificação para as Olimpíadas de Londres, em 2012, e da busca de mais um pódio olímpico.
Nesta entrevista, Madureira também diz o que espera dos atletas da Seleção contemplados com a nova realidade vivida pela CBTKD, com o apoio financeiro da Petrobrás.
CBTKD: Há quanto tempo está como técnico da seleção brasileira?
Fernando Madureira: De free lance...(risos) tive minha primeira convocação em 1998, no Mundial Junior na Turquia. Mas não fui porque eu teria que pagar todas minhas despesas de viagem e na época eu não tinha condições. Mas meu atleta Paulo Cavechia voltou com o 3º lugar deste Mundial. Fiz a primeira viagem em 2000, no Mundial Junior na Irlanda, onde eu tinha quatro atletas na equipe. Depois, em 2002, no Campeonato Pan-Americano, no Equador, onde eu tinha cinco atletas; em 2003, no Universiade, em Daegu, Coréia. Só fui efetivado em 2005. Então, oficialmente, faz seis anos
CBTKD: Você tem a missão agora de ajudar a classificar os atletas escolhidos para disputar as seletivas (Mundial e Pan-Americana), para os Jogos Olímpicos do ano que vem. Você vê chances do Brasil conseguir as quatro vagas? Por quê?
Fernando Madureira: Todos os nossos atletas, que estão no peso Olímpico, têm chances claras de se classificar, pois se encontram em ótimo nível técnico e físico. Porém, a comissão avaliará com certeza outros fatores. Exemplo: quais atletas de outros países disputarão a Seletiva Mundial e Pan- Americana. Devemos evitar choques em pesos entre favoritos. E também deveremos pôr na balança o nível de experiência de nossos atletas escolhidos. Nestas seletivas isto pesa muito; os com mais bagagens têm um sistema emocional mais maduro e enfrenta esta situação com mais eficiência. Acredito que seguiremos esta linha, porque é a mesma linha de raciocínio que os melhores países do mundo seguirão.
CBTKD: Como você tem avaliado o nível técnico dos atletas de outros países, sobretudo daqueles que têm normalmente subido ao pódio?
Fernando Madureira: Muito bom. Mas não muito diferente dos nossos. Alguns só têm mais experiência Internacional e isto faz uma boa diferença.
CBTKD: Quais países têm lhe surpreendido pelo desenvolvimento técnico?
Fernando Madureira: As surpresas que vejo hoje são Marrocos, Azerbaijão, Rússia e a própria China, que menos de meia década atrás não faziam partes dos medalhistas Internacionais, e hoje estão surpreendendo muita gente.
CBTKD: O que falta ao Brasil para ficar na elite do Taekwondo mundial?
Fernando Madureira: Apoio regionalizado a pólos. E falo apoio de forma geral, não só financeira. Não acredito que funcione um único CT no Brasil. Nosso país é muito grande. Deve se criar uma forma de ajudar os CTs, porém de fiscalizar, avaliar e dar suporte técnico e cientifico, pois tem muita gente que acha que ter um CT é ir comprando atletas e ter materiais e acessórios de primeira. E não é bem assim; se não tiver mão de obra especializada, você acaba sacrificando os bons atletas que vêm para os Centros.
CBTKD: Até que ponto o aporte financeiro vindo da Petrobrás pode fazer do Brasil a potência do Taekwondo que nós esperamos?
Fernando Madureira: Até que enfim estamos obtendo bons reconhecimentos em recursos. Precisamos de uma bússola agora. O projeto técnico e de aplicação foi criado pela gestão anterior e, aparentemente, foi feito meio às pressas. Com datas de eventos muito em cima umas das outras; confusão na divisão de 6 categorias de 4 grupos, onde, acredito, deveria ser de oito categorias de 3 ou 4 grupos. Mas tenho certeza de que é a nossa salvação. Se compararmos ao montante da verba com que outros países evoluídos trabalham... Porem, para renovar para o próximo ano, deveremos sentar com todos da comissão e elaborar com mais cautela as ações.
CBTKD: Como essa nova realidade do Taekwondo brasileiro, apoiada por uma grande empresa e com salários tem sido recebida pelos atletas?
Fernando Madureira: Os mais maduros abraçaram a causa como se fosse último balão de oxigênio. Aos mais jovens, aparentemente, parece que a ficha não caiu ainda. Mas só o tempo e os acontecimentos é que vão fazer cada um se situar melhor e ver que esta é a chance para quem é profissional. Daqui pra frente, com a Petrobras e a mentalidade da nova CBTKD, acredito que não teremos espaço para amadores e profissionais egocêntricos.
CBTKD: Faça as suas considerações finais?
Fernando Madureira: Agradeço a entrevista, e acredito que deveremos ser cada vez mais patriotas: os dirigentes, técnicos, atletas, a comissão técnica e a imprensa. Temos que acreditar no que temos de mais valioso, que é a qualidade de nossos atletas e treinadores. O Brasil tem muitos atletas bons nos quatro cantos do país e técnicos também. E isso nos faz uma Nação diferente. Só temos é que potencializar isso, distribuir tarefas e cada um executar a sua tarefa de forma ideal. O vôlei trabalha assim; tem milhões de formiguinhas formadoras de base. Por isso que o Bernardinho renova sua geração sem muito esforço, porque ele divide as tarefas com mais um montão de gente. É esta lição que o Taekwondo tem que aprender e usar; não se constrói nada destruindo os outros e nem sozinho.
Temos que nos unir. O novo Presidente da CBTKD, o mestre Carlos Fernandes, tem uma mentalidade empreendedora e quer fazer a diferença. E sei que ele precisará ter a seu lado pessoas com a mentalidade sadia, comprometida e pronta pra produzir para nosso País. Este é meu sonho de criança: fazer um Taekwondo com brasileiros para brasileiros.
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